sexta-feira, 4 de julho de 2014


Os 12 Princípios do Amor-Exigente
1) Raízes Culturais
2)
Os Pais também são Gente
3)
Os Recursos são Limitados
4)
Pais e Filhos não são iguais
5)
Culpa
6)
Comportamento
7)
Tomada de Atitude
8)
Crise
9)
Grupo de Apoio
10)
Cooperação
11)
Exigência ou Disciplina
12)
Amor
Como se pode ver, são 12 Postulados, 12 convicções simples, realistas e quase óbvias sobre a realidade da vida.A partir deles nós elaboramos os "nossos princípios de vida e de comportamento".
O Amor-Exigente é para "ser vivido por você".
Não é uma ferramenta para aplicar nos outros.

No Amor-Exigente ninguém vai lhe dizer, a priori, o que fazer. Você vai se conhecer e descobrir o que quer, então, com ajuda do seu Grupo de Apoio, você descobrirá o que começar a fazer, quando e como.

Os problemas da família e da escola tem raízes em nossa atual cultura ou sociedade.
Estamos preparados para enfrentar os dias de hoje?
A Televisão – A mídia – A tecnologia fazem a sua cabeça?
Você já experimentou:
Parar –> Observar –> Refletir –> Questionar –> E daí se Posicionar?
Como exemplo vamos refletir sobre o seguinte: Nós pais, lutamos contra o autoritarismo, que durante algum tempo dominou a vida do país, e o varremos. Só que, ao varrer o autoritarismo, nós, descuidadamente, varremos também a autoridade.
Autoritarismo é algo perfeitamente descartável, mas a
Autoridade é princípio ético e moral essencial da sociedade
Aspectos que devemos considerar
  • Conhecimento: É preciso estar bem informado sobre problemas e situação real do mundo atual. Ex.: "Os problemas sociais do Brasil são oriundos da superpopulação". Esta é uma afirmação que é constantemente feita e raramente questionada.
  • Comunicação: é preciso comunicar-se. Nada de isolamento, comunicação real. Assistimos, em nossa atual cultura, que as pessoas estão inseguras, cheias de medo e de frustrações, e ainda, gente que não se comunica:
    É "isso" ou "aquilo" e não tem conversa nem meio termo.
  • Falta tempo e coragem para "Falar", "Ouvir" e "Agir": Exercer a liberdade de fazer boas escolhas, mudar de rumo e trilhar novos caminhos.
Hoje, a maioria das pessoas alicerça os seus valores no Ter e não no Ser.
Precisamos resgatar os valores dignos de serem vividos e pelos quais estamos dispostos a morrer.
Filhos, pais, professores e alunos, você também é gente.
Somos gente e, como gente, erramos e aprendemos.
Devemos assumir nossas limitações naturais.
  • Este é o princípio que nos leva a nós próprios, que derruba mitos. É o princípio que nos liberta.
  • Somos gente, não super-homens, podemos errar sem culpa.
  • Não dá para resolver tudo nem controlar tudo.
  • Nós também temos problemas quando queremos ser um pouco super- heróis, um pouco deuses. Lembrem-se que é fácil passarmos de pais heróis a pais otários.
  • A sociedade criou uma falsa expectativa de que ser um bom pai é nunca errar. E nós, em estado permanente de insanidade, buscamos essa perfeição, vivendo permanentemente frustrados, pois não a alcançamos. Ser um bom pai é buscar, com verdade, errar menos. Quantas vezes nos deparamos com situações em que não sabemos o que fazer, o que responder? Afinal, somos apenas humanos.
  • Esse princípio nos permite sonhar buscar a felicidade, nos permite aprender, nos propicia a tranqüilidade para receber críticas e questionamentos como pais. Assim podemos mostrar aos filhos que é possível ser falho, limitado e ao mesmo tempo correto e feliz.
  • Ao admitir que somos humanos permitimos que os filhos, possam também assumir a sua humanidade.
  • Ser gente nos dá o direito de buscar momentos de silêncio, tranqüilidade, privacidade, prazer, lazer, realização pessoal, etc. Há um outro aspecto nele: Os cônjuges também são gente, também passam por momentos de desânimo, cansaço, tristeza, desilusão, dor, angústia, medo, insegurança, incerteza. Afinal, marido e mulher também são humanos.
  • Normalmente o parceiro é ótimo quando faz tudo o que o outro quer. O parceiro não é um carrinho de controle remoto, ele tem uma individualidade que aspira, no mínimo, ao respeito. Tem o direito de sonhar, de ser feliz, de buscar a sua auto-realização, a realização dos seus talentos e de sua individualidade.
  • O ser humano tem o direito à felicidade, tem o direito de buscar o justo e oportuno prazer, tem o direito de buscar a sua realização.


Nossos recursos físicos, emocionais, intelectuais, econômicos são limitados.
  • Em nosso primeiro princípio Raízes Culturais, buscamos o nosso auto-conhecimento. Daí procuramos:
Observar – Refletir – Questionar – Nos Posicionar
  • No segundo princípio, vemos que somos gente e como pessoas humanas não somos Deuses, não somos perfeitos. Mas devemos ser tratados com consideração e respeito, porque somos gente. Devemos reconhecer nossas limitações e procurar enfrentá-las, sem mentiras ou manipulações.
  • Temos direitos e deveres.
  • Direitos: de dormir toda noite, de passear, de nos divertirmos, de termos paz e tranqüilidade.
  • Hoje, os nossos jovens colocam-se bem ao contrário, nada dão em troca e nós lhes damos tudo, haja o que houver, custe o que custar. O que para nós foi difícil, damos a eles sem deixar faltar nada e muito além daquilo de que necessitam. Não se sinta nesta obrigação! Seja precavido e reserve-se o direito de uma negativa, se perceber abuso ou falta de merecimento na solicitação.
  • Deveres: e obrigações é o que não falta nas cobranças que os filhos fazem a nós, pais.
  • Respeito é bom e toda gente gosta. O seu direito dos filhos termina onde começa o nosso e a todo direito corresponde um dever. Gastar só o que está a meu alcance. Comprar o que é necessário. Quantos pais se privam de necessidades básicas, para atender aos caprichos de seus filhos, muitas vezes dobrando sua jornada de trabalho para atender aos caprichos de seus filhos.
  • Educar bem os filhos é fazê-los entender deveres e responsabilidades, levando em conta que eles aprendem facilmente a obter direitos e vantagens.
  • Aquilo que não se ensina em casa, a vida vai ensinar-lhes a duras penas.

Eu e você não somos iguais. O que nos diferencia são nossos papéis.
E isto não é motivo para desavença, nem competição.
  • Este postulado nos leva a refletir sobre nossos diferentes papéis, nossas funções e responsabilidades que delas derivam.
  • Pais são guias, orientadores e legisladores. Ser amigo do filho, não significa deixá-lo fazer tudo. Para que o filho exista é necessário que haja pai. Amigos, os filhos já têm muitos. Não torne seu filho órfão de pais vivos.
  • Ser pai é mostrar caminhos, que só são mostrados pela autoridade. Autoridade é força moral conquistada a custo de imposições que os pais fizeram antes a si próprios. Diante de um fato faz-se necessário, primeiro, reflexão e ação, para depois haver a falação.
  • Os pais devem promover:
    • Bem estar emocional, dando condições para que os filhos se desenvolvam num ambiente normal, alegre que tenha paz e equilíbrio visando a saúde mental deles;
    • Bem estar social, permitindo que os filhos tenham espaço para conhecer pessoas, se relacionarem com elas, de modo que aprendam a apreciar e respeitar os diferentes;
    • Bem estar espiritual, proporcionar aos filhos o conhecimento de Deus para despertar neles a consciência do respeito ao Criador, Suas criaturas e Sua obra: Valores;
    • A educação e formação dos filhos. Educar bem os filhos é tirar de dentro deles o melhor que têm a oferecer: Seus dons, talentos e capacidades potenciais. O ser humano é um "ser de realização". Realizar-se é enfrentar e vencer desafios, atingir objetivos.
  • É direito dos pais:
    • Ter uma noite de sono, sem se preocupar, sem ser acordado.
    • Morar numa casa limpa, receber cooperação e cortesia em sua casa.
    • Não ser desconsiderado nem maltratado.
    • Ajudar seu adolescente a aprender sobre direitos e deveres, dele e dos pais.
  • Se você não fizer seus direitos serem respeitados, não poderá exigir que outros, nem mesmo seus filhos, o respeitem. Pai é guia, orientador, legislador: deve nortear a conduta do filho, criando regras ou princípios que precisam ser respeitadas e que irão prepará-lo para enfrentar o mundo em que vive.
  • Lembre-se: Ser amigo do seu filho é ajudá-lo a ser a pessoa certa para si mesmo e para o mundo.

A grande desculpa para não se fazer nada.
  • Culpando alguém, você simplesmente perde a responsabilidade por si mesmo e não precisa fazer nada.
  • Ao culpar-se torna-se uma pessoa indefesa e sem ação, desiste da sua autoridade e compromete seu desempenho.
  • Não se deve confundir sentimento de culpa com responsabilidade. Diante de um fato posso não ter culpa, mas, seguramente, tenho responsabilidade. Sentimento de Culpa leva ao imobilismo. Responsabilidade chama à ação.
  • Desde a infância o ser humano usa sua liberdade de escolha. Portanto, os pais não são responsáveis pelas escolhas feitas livremente pelos seus filhos, normalmente sem consultar antes os pais. O ser humano só é livre até o momento que faz uma escolha.  Depois, passa a ser responsável por ela e todas suas conseqüências. Quem escolhe é que deve responder.
  • Quantos pais se punem, se condenam, se subestimam, sentem auto–piedade ao serem complacentes para com os filhos e implacáveis para consigo próprios. São os pais que não conseguem ver a realidade que está diante de seus olhos.
  • Sentir-se culpado, achar culpados, de nada adianta. Neste caso mostra apenas que consciente ou inconscientemente estamos acreditando que somos melhores que os outros e até que somos onipotentes. Que somos capazes de mudar a vida dos outros, fazê-los felizes ou infelizes, levá-los ao sucesso ou ao fracasso.  Isto é presunção de onipotência. E aí, como não os vemos felizes, desenvolvemos um sentimento inconsciente de culpa.  Irreal, inútil e prejudicial.
  • Dentro do AE, neste programa de prevenção e solução de problemas, eles vão encontrar recursos que lhes permitem acertar ou errar, sem que, com isto, sintam-se culpados.
  • Perdoar! Quem não perdoa é prisioneiro do passado. Perdoar é dar oportunidade a si mesmo e ao outro. O mais difícil perdão a ser dado é aquele que precisamos dar a nós mesmos (não confundir perdão com desculpa). Devemos estar sempre compromissados com condenar os atos menos bons, mas nunca os autores.
  • Amor-Exigente não é um programa de caça às bruxas. Queremos nos livrar de qualquer tipo de emoção negativa que possa nos impedir de ter as melhores condições para desempenhar nossos papéis e resolver problemas.
  • Acabando com culpas e culpados, com vítimas e algozes cuidando dos sentimentos de raiva, medo, auto-piedade, punição ou auto-punição estamos crescendo, amadurecendo o espírito, assumindo responsabilidade, caminhando a largos passos para a solução dos problemas.
  • Viva o Perdão!!!     Viva a Responsabilidade!!!    Vamos à ação!!!

Devemos amar nossos familiares,
mas rejeitar toda influência negativa dos seus comportamentos inaceitáveis ou da adicção.
  • O comportamento dos pais afeta os filhos, assim como o comportamento dos filhos afeta os pais. Como é verdade que o comportamento dos filhos altera o comportamento dos pais, o inverso também é verdade: os pais, ao mudar suas atitudes, provocam mudanças no comportamento dos filhos. Como queremos que nossos filhos mudem de atitude se não mudamos as nossas? Como queremos que nossos filhos mudem de atitude se continuamos a ser permissivos e adeptos da auto-piedade?
  • Os pais devem estar conscientes do seu papel no lar e na sociedade. Diante de um comportamento inaceitável, não podem competir com ele ou perder a dignidade. Uma atitude inconseqüente e rebelde não justifica uma reação absurda.
  • É preciso manter o equilíbrio, se quiser dominar a situação, ser dono de sua casa, conduzir sua família no rumo certo.
  • Devemos ter: Dignidade, harmonia, firmeza, autodomínio, flexibilidade.
  • Os problemas e comportamentos indesejáveis não surgiram ontem. Os nossos filhos foram se desumanizando lentamente. Portanto, a recuperação também será gradativa, sem milagres.
  • Comece a trabalhar o seu comportamento. Somos bons, mas podemos ser melhores para nós e para os outros.

  • Nos seis primeiros princípios, nós nos vimos e nos avaliamos. Agora devemos Tomar uma Atitude. Assumir posições claras e bem definidas. Ao tomar uma decisão, ser firme e perseverante.
    • Neste momento já estamos praticando os Princípios do autoconhecimento:
      1o Os problemas da família são inerentes ao mundo atual.
      2o Os pais também são gente
      3o Os recursos materiais e emocionais dos pais tem limites.
      4o Pais e filhos não são iguais.
      5o A culpa torna as pessoas indefesas e sem ação.
      6o O comportamento.
    • O que leva as pessoas, na maioria das vezes, a não tomar atitudes é o medo. Medo de possíveis reações, medo de precisar manter a atitude tomada; Medo de assumir as conseqüências; Medo de possíveis perdas.
    • Quanto mais tardarmos em tomar atitudes, mais as situações se agravarão.
    • A perseverança é o cerne da mudança de atitude. Muitos educadores estão dispostos a mudar e até iniciam o processo, mas quando surgem os primeiros sinais de alerta a atitude mais freqüente é desculpar e justificar o comportamento inaceitável do seu educando.
    • Dizer sim a:
      Mudança, Criatividade, Humor, Compromisso, Firmeza e Perseverança.
    • Dizer não a:
      Acomodação, Preguiça, Indiferença, Resignação, Raiva e Medo.
    • Devemos começar tomando atitudes em relação a nós, uma atitude que corrijam a nós próprios. Tomar uma atitude com coragem, sem medo, procurando corrigir um comportamento inaceitável enquanto ainda há tempo.
    • Assumir posições ou fechar questões podem precipitar uma crise e gerar um impasse.
    • Crises implicam dor, desconforto, insegurança, mas criam a oportunidade de romper com o passado e abrem a possibilidade do novo.
    • Quem gera a crise a administra. Quando são os filhos sempre os geradores de crises nós ficamos somente na reação e não na ação. Temos de criar crises para poder agir, para poder administrar. Ao criar uma crise, precisamos estar compromissados com a verdade, livres dos sentimentos de raiva, sem sentimentos de vingança, sem revanchismos, sem justificativas.
    • De uma crise bem controlada surge a possibilidade de mudanças positivas.
    • Hoje nós, pais, encontramos imensas dificuldades em dizer não aos filhos, a impor caminhos coerentes com os princípios que norteiam as relações familiares.
    • O "não" mais educativo é aquele que conseguimos que o jovem pronuncie para si mesmo, fruto da sua conscientização e do nosso exemplo.
    • Não tenhamos medo de criar crises, o tamanho da crise é proporcional ao tamanho das mudanças que estamos fazendo: Só em nós; Só nos outros; Em nós e nos outros.
    • Sem autoridade jamais poderemos criar crises construtivas. A crise nunca pode ser evitada, mas pode e deve ser controlada. Para controlar crises basta adotar os 12 Princípios do Amor-Exigente como geradores dos nossos próprios Princípios de Vida. Lembre-se: Questões que envolvem Princípios de Vida são inegociáveis.
    • Ao criar uma crise devemos estar preparados para a chantagem e o jogo emocional, para as agressões moral, verbal e física, para o desacordo da macro-família e da sociedade.
    • Criar crises é um risco? Sim... o risco de dar certo.
    • Os pais que querem que seus filhos deem certo devem escolher a melhor alternativa, mesmo que não seja a mais fácil, para os filhos nem para si próprios.
    • Falando de crise, a forma de enfrentá-la é vencê-la. No Amor-Exigente adotamos uma palavra mágica: De-fi-for-exe
      Defina o Alvo, Fixe Prioridades, Formule um Plano e Execute-o
    • Os pais devem estar alerta e serem capazes de amar seus filhos de modo a fazerem por eles o que precisa ser feito, sem pena deles ou de si próprios.
    • O Grupo de Apoio é o lugar certo onde se reaprende a dialogar. Você é visto, é ouvido, é compreendido e se torna capaz de ver, ouvir e compreender.
    • As famílias precisam dar e receber apoio em sua própria comunidade para que possam mudar sua atitude.
    • Ao se engajar em um grupo de apoio a família tem diminuída a sua carência, o seu medo, a sua incapacidade e a sua vergonha. A comunidade passa a ser um referencial, um ponto de equilíbrio e aconchego, um grupo onde não se precisa vestir máscaras, ocultar ou até mentir.
    • O grupo me serve de espelho, no qual posso me ver. É um espelho mágico, pois me mostra, inclusive, o que eu, sozinho, não consigo ver. Tudo isso com muito respeito, carinho e disposição de ajudar, pois os membros dos grupos de apoio são, geralmente, pessoas que já passaram ou estão passando por dificuldades similares. É o encontro de pessoas unidas pelo sofrimento e pela esperança.
    • O grupo dá as mãos, sugere novos rumos, modera os impulsos, encoraja, assume tarefas, acompanha, alegra-se com os sucessos de seus membros, transforma-se em família, mostra que as grandes modificações são produto de pequenas, sucessivas e constantes mudanças.
    • O grupo deve ter paciência ao mesmo tempo em que deve tornar-se um elemento estimulador da ação.
    • Nesse apoio da comunidade não incentivamos e também não aceitamos culpas ou culpados. Ajudamos na fixação dos limites, na tomada de atitudes e conseqüente precipitação da crise. Depois, também no controle da crise, dando-lhes coragem para não desanimarem até atingirem o alvo desejado, ajudando, ainda, a encontrarem ou descobrirem uma fé cheia de entrega e de esperança.
    • Cooperação é a união de pessoas em volta de um trabalho para o bem de todos. Sem a cooperação temos um amontoado de pessoas que comem e dormem numa mesma casa e nada mais. Um hotel ou motel. Uma das característica de um hotel é a frieza que envolve as relações das pessoas.
    • É comum ouvir crianças dizendo: "A minha empregada". Esta fala é altamente sintomática. Provavelmente a criança está sendo privada de assumir os cuidados de suas coisas como: arrumar as gavetas de seu armário, a sua cama, limpar e ordenar o seu quarto e assim por diante. Observe: arrumar as suas coisas. O que dizer das tarefas comunitárias? Quando um filho se atém a somente cuidar de suas coisas ainda não é um cooperador, pois está fazendo somente coisas para si e não para o bem do seu núcleo familiar, família ampla ou comunidade.
    • Freqüentemente, esquecemos que o trabalho enobrece, cria vínculos, desenvolve e aumenta a auto-estima, desenvolve a capacitação, prepara para a vida, ensina valores, dá mais sabor ao lazer...
    • Cooperação é a união de pessoas em torno de um trabalho comum para o bem de todos.
    • Quando fazemos o que um filho pode fazer estamos roubando-lhe a oportunidade de crescer.
    • Hoje observamos em vários lares que os adolescentes apresentam uma expressão de absoluto fastio, de acomodada insatisfação, por não ter função na ordem familiar estabelecida. São os tiranos que padecem da "síndrome do sofá". Os filhos só deixarão o comportamento de tiranos quando os pais mudarem o seu de servos, de facilitadores, para o de pais com autoridade que estimulam, cobram e premiam com justiça.
    • Devemos dizer não ao individualismo, atualizando-nos nas informações, para não nos sentirmos traídos pela má-fé; mudar a nossa conduta e a conduta da nossa família, ou seja, a de todos e não somente a do filho-desafio, já que todos pertencem à mesma família. Todos devem ter a mesma responsabilidade através da cooperação.
    • A única maneira de o jovem reencontrar o sentido da vida é ser a melhor pessoa para si mesmo.
    Nós o amamos, mas não aceitamos o que você está fazendo de errado!
    Este pensamento constitui a pedra angular do Amor-Exigente.
    • Exigir é cobrar apenas o que é devido e o que é justo.
    • Estabelecer disciplina é estabelecer metas e impor limites, inclusive e principalmente nas pequenas coisas; O cotidiano da vida é produto da somatória das pequenas coisas.
    • Ao estabelecer normas verifique primeiro quais os seus recursos para que elas possam ser cumpridas. Estabeleça também quais as conseqüências pelo não cumprimento delas. Tenha sempre presente que as exigências não sejam insolúveis, desleais, injustas, inoportunas e indignas. Verifique se você está determinado a fazer cumprir as metas e os limites que, livremente, está estabelecendo.
    • O filho não tem de amar os pais, mas tem de respeitá-los e, conseqüentemente, toda família. Diante das metas e limites ele terá de fazer uma escolha. É ele quem faz a escolha. Diante da liberdade do homem não podemos fazer nada a não ser mostrar caminhos e rezar.
    • Ao assumir uma posição clara e inequívoca, acompanhada de atitudes coerentes com ela, estamos dizendo aos nossos filhos que não concordamos com suas atitudes erradas e que não estamos dispostos a ser cúmplices nem testemunhas, por omissão, de suas loucuras.
    • Se queremos que ele deixe as drogas, ou qualquer comportamento errado, temos de propiciar e até mesmo provocar as perdas. Somente pelo confronto direto, corajoso e determinado é que os pais conseguem libertar um filho das drogas e da corrupção de valores.
    • Vamos Exigir, disciplinar sem o aspecto de punição. Conscientes de que o que os filhos não aprendem em casa, conosco, a vida vai ensiná-lo, muitas vezes, às duras penas... duras para nós e duras para eles.
    • Num trabalho lúcido, perseverante, sem acomodação vamos disciplinar para levar à libertação!
    • "Exigência na disciplina com o objetivo de ordenar, organizar a nossa vida e nossa família".

    • Amar é fruto do real interesse pelo outro, mesmo que o outro não nos desperte simpatia. O amor estabelece compromissos. Sua prática implica fidelidade com verdade. Amar significa aderir a algo, mesmo que para isso se tenha de abrir mão de coisas de que gostamos. Amor significa ir em direção ao objeto amado. O amor liberta o homem de si mesmo, haja visto o perdão incondicional de si e do outro.
    " Amor com respeito, sem egoísmo sem comodismo...
    Amor desvinculado da obtenção de quaisquer vantagens.
    Amor que educa e orienta".

    Pai!
    Tua Exigência sem amor me Revolta.
    Teu Amor sem exigência me Humilha.
    Teu Amor-Exigente me Engrandece






    quinta-feira, 19 de junho de 2014

    TRANSTORNOS DE PERSONALIDADE

    É importante saber a diferença entre personalidade esquizóide e o quadro de esquizofrenia patológica.
    Os transtornos da personalidade são quadros mentais que se caracterizam por padrões desajustados de comportamento que não são suficientemente definidos para serem considerados de natureza neurótica ou psicótica.
    No transtorno de personalidade há exageros de aspectos da estrutura da personalidade de forma que podem incapacitar uma pessoa ou serem perturbadores para o meio social em que vive, e desta forma, produzir grande ansiedade.
    Entre alguns transtornos de personalidade frequentes tem-se a Personalidade Esquizóide.
    Neste transtorno de personalidade a pessoa apresenta um padrão de comportamentos que incluem timidez, hipersensibilidade, apartamento, fuga das relações intima ou competitivas e, ainda, excentricidade ou comportamentos poucos comuns a outras pessoas.
    Diferencia-se da esquizofrenia patológica, pois não há perda do senso de realidade, porém a pessoa com esse transtorno de personalidade esquizóide apresenta pensamentos autistas e tendência a devaneios.
    Uma importante característica que diferencia estas pessoas é sua inabilidade para expressar agressividade e de se desestruturarem facilmente diante de experiências perturbadoras.
    Pessoas com transtorno de personalidade esquizóide possuem limitada capacidade de adaptação, preferindo, na maioria das vezes, o distanciamento das outras pessoas, tanto com afastamento físico, quanto intra psíquico. Esse afastamento é uma fuga para o enfrentamento das situações.
    Essas pessoas desde muito cedo, na idade escolar, já apresentam dificuldades de socializar-se com outras crianças e com os adultos. Na adolescência, se tornam mais isolados, não participam de competições, evitam contatos físicos, namoros e aparentam auto-suficiência nos seus empreendimentos, podendo muitas vezes, até se tornarem estudiosos brilhantes.
    Algumas pessoas com personalidade esquizóides apresentam comportamentos e manias estranhas quando comparados com as de seus companheiros de idade e sexo, por exemplo, colecionar insetos, pintar quadros esquisitos, gostar de ruídos estranhos, etc.
    Pessoas com personalidade esquizóide quase não se envolvem afetivamente, sendo sexualmente frios e distantes. Possuem acentuado narcisismo, onipotência e muitas vezes acham que se bastam por si próprios.









    Adoración al Santísimo 3° Parte Grupo Emmanuel Mexico

    Corpus Christi - Alma de Cristo, Canto de Corpus Christi

    Pílula de Educação - Desafio da Educação Infantil

    quarta-feira, 4 de junho de 2014

    DISGRAFIA E DISLEXIA

    AS DIFICULDADES NA APRENDIZAGEM: DISGRAFIA E DISLEXIA
    Cristiane Pinho de Sá1
    RESUMO
    O homem desde tempos passados tem a necessidade de se comunicar com os seus semelhantes. Com o passar dos tempos, foram criando formas cada vez mais eficazes para que aconteça da melhor forma possível. No início da colonização no Brasil e com o passar de alguns tempos, a atividade da escrita era dirigida somente às classes mais favorecidas. Hoje, apesar dos problemas enfrentados na educação, aprender a ler e a escrever, deixou de ser privilégio de poucos e passou a ser uma preocupação de muitos. A grafia destacou-se como elemento fundamental, já que era impossível transmitir tudo a todos somente através da fala.
    Palavras-chave: Problemas. Educação. Ler. Escrever
    1. INTRODUÇÃO
    Quando se fala em Distúrbios de Aprendizagem envolvendo a leitura e a escrita, é indispensável que se analise a leitura oral e a silenciosa antes de se avaliar a escrita (cópia, ditado, redução), visto serem as dificuldades de escrita, na maioria das vezes, decorrentes de uma leitura lenta, analítica, impregnada de trocas de sílabas ou palavras, sem pontuação, sem ritmo e incompreensível.
    Nos tempos atuais, quando se percebe que as dificuldades de aprendizagem que a criança apresenta são oriundas ou ampliadas por um método de ensino que não está adaptado à criança, propõe-se uma mudança metodológica para facilitar o processo de aprendizagem.
    O campo das Dificuldades de Aprendizagem (DA) evoluirá, na razão direta dos resultados da investigação. É esse o futuro desafio, e vai ser nesse sentido, que muitos especialistas, irão dirigir o esforço continuado, mesmo que momentaneamente sejam rejeitados ou incompreendidos.
    Ensinar a ler e escrever continua a ser uma das tarefas mais especificamente escolares. Um número grande de crianças fracassam já nos primeiros passos da alfabetização. No entanto, a leitura e a escrita não podem ser consideradas atividades isoladas, no processo de desenvolvimento da criança. Estes dois processos gráficos fazem parte da evolução da linguagem que se iniciam logo nos primeiros dias de vida da criança. O mais comum, é que estes dois processos sejam ensinados ao mesmo tempo com o objetivo de um reforçar o aprendizado do outro.
    O que não é comum acontecer, são crianças que não sabendo ler, consigam expressar-se através da linguagem escrita. “Crianças que não compreendem a palavra impressa podem até realizar a cópia de palavras e
    1 Professora da Faculdade de Ensino e Cultura do Ceará - FAECE
    Revista Científica INTERMEIO
    Faculdade de Ensino e Cultura do Ceará – FAECE / Faculdade de Fortaleza - FAFOR
    2013
    frases, mas dificilmente, conseguirão realizar um ditado ou uma redação” (TOLCHINSKY, 1995, p. 36).
    2. A Leitura
    A leitura envolve, primeiramente, a identificação dos símbolos impressos como letras, as palavras e os sons que elas representam. No início do processo da aprendizagem da leitura, as crianças têm que diferenciar cada letra que está sendo impressa e, perceber que cada símbolo que está sendo mostrado tem uma correspondência com os sons da fala. Se não houver essa correspondência, as crianças não poderão ler.
    Esse processo que as crianças passam inicialmente na aprendizagem da leitura e da escrita e, que envolve a discriminação visual dos símbolos impressos e, a associação entre a palavra impressa e o som, é chamado de decodificação e, é essencial para que as crianças aprendam a ler. “No entanto, para ler se faz necessário que exista uma compreensão e toda uma análise do material que está sendo lido” (FONSECA, 1995, p. 15).
    A leitura é uma atividade fundamental, desenvolvida pela escola para a formação dos alunos. O melhor que a escola pode oferecer aos alunos deve estar voltado para o ensino da leitura, por se tratar de uma extensão na vida das pessoas. A maioria do que se aprende na vida terá de ser conseguido através da leitura fora da escola.
    A maioria dos problemas que os alunos encontram ao longo dos anos de estudo, chegando até a pós-graduação, são decorrentes de problemas de leitura. Ler é uma atividade extremamente complexa.
    As crianças ao chegarem à escola, ainda em turmas de educação infantil, trazem consigo suas leituras. Leituras estas, que lhes facilitam entender e compreender o mundo físico e social no qual vivem. Quando a criança lê a palavra coelho, esta deverá ser associada ao animal coelho. Se a criança nunca viu um coelho, não poderá compreender o que significa aquela palavra que decodificou. Sem a compreensão, a leitura deixa de ter interesse e de ser uma atividade motivadora, pois nada tem a dizer ao leitor. Na verdade, só se pode considerar realmente que uma criança lê quando existe a compreensão. Quando a criança decodifica e não compreende, não se pode afirmar que ela esteja lendo. (MORAIS, 1994).
    Independente do tipo de reação se é emocional, intelectual ou as duas, a análise do conteúdo lido é sempre feita, partindo de referenciais internos do próprio leitor. Cada indivíduo vai construindo, de acordo com sua experiência, um referencial de idéias e pensamentos que servem de base para a realização da análise crítica.
    Muitas vezes, as próprias crianças, devido a tantas dificuldades para aprenderem a ler e a escrever, acabam decidindo que não vale a pena o esforço para esta aprendizagem. Para intervir neste processo tão freqüente nas escolas por todo país, os professores devem estar atentos para os esforços feitos pelos alunos em suas leituras, dando confiança, criando um ambiente
    Revista Científica INTERMEIO
    Faculdade de Ensino e Cultura do Ceará – FAECE / Faculdade de Fortaleza - FAFOR
    2013
    propício para sua interação com o texto. Todo material deve ser bem selecionado e variado, de preferência com leituras que agradem as crianças e as estimulem a gostarem de ler.
    As dificuldades apresentadas no decorrer do processo não são, na maioria das vezes, devido a problemas de disfunção orgânica. Uma criança não aprenderá a ler se ela não sentir algum significado no ato da leitura, se criou hostilidade pelo professor, pela escola ou pelo grupo social que ambos representam, se acreditam que seja muito difícil aprender.
    Muitas vezes, as crianças acham que a leitura não tem sentido, é algo maçante e só serve para ganhar boas notas. Visto por este ângulo, na grande maioria dos casos de dificuldades na aprendizagem da leitura, é possível uma intervenção educativa sem recorrer a especialistas. O desafio do professor não precisa de testes ou provas, para avaliar o processo de aprendizagem de seus alunos. Ele sabe, ou deveria saber, se uma criança faz progressos na leitura, simplesmente observando-a em sala de aula (FERREIRO & TEBEROSKY, 1986).
    Os métodos e teorias para a aprendizagem da leitura não são os responsáveis pela mudança do sistema de ensino. Apesar de inúmeras pesquisas, dos inúmeros trabalhos publicados, na área da leitura, diversas crianças ainda continuam com muitas dificuldades em aprender a ler, sendo que muitos professores acreditam que isso é inevitável, que nada podem fazer. Para melhorar as dificuldades na leitura, o professor poderá desempenhar um bom trabalho, se compreender o que é a leitura e como as crianças aprendem a ler. Por que certas crianças acham tão difícil aprender a ler? (PIPSE, 1988).
    A aprendizagem da leitura envolve várias exigências lingüísticas, sócio-comunicativas e intelectuais. Parece razoável supor que a dificuldade em atender a uma ou várias dessas exigências seja a explicação de por que certas crianças têm problemas para aprender a ler e escrever. Em vista do fato de que o código escrito se relaciona com a fala — ainda que mediante um conjunto complexo de regras —, poder-se-ia prever que as crianças que têm problemas para ouvir ou analisar os padrões de som da fala defrontam problemas de leitura por carecer da base necessária à aprendizagem de como decodificar símbolos escritos em sons vocais.
    Como a linguagem escrita não se reflete na fala de modo simples ou direto, seria também de se esperar que essas crianças achem difícil usar a forma escrita para aprender acerca da estrutura da fala e da linguagem, uma vez que as relações entre as duas formas de comunicação são muito complexas. As crianças surdas enfrentam enormes problemas para aprender a ler e só uma minúscula minoria atinge o nível dos onze anos ao sair da escola.
    Deve-se lembrar de que a análise da fala, de modo a revelar os elementos, que tornam possível a criação de um código visual legível é uma realização intelectual, e não simples produto natural da capacidade de falar. A fala é uma atividade que atende a objetivos e necessidades, como as de informar, perguntar, recusar, explicar, negociar e outras. Para a maioria das pessoas e durante a maior parte do tempo, a atividade de falar é uma atividade automática.
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    Na aprendizagem da leitura, a linguagem torna-se objeto de atenção ou estudo, a alfabetização muda o caráter de nossa linguagem e as concepções que temos sobre ela. Aprendendo a escrever e a ler, as crianças precisam pensar objetivamente sobre a fala e aprender a analisá-la e, na escrita, a representá-la (FONSECA, 1995).
    Isto não quer dizer que as crianças pré-alfabetizadas ou os povos iletrados não dispõem de um conhecimento explícito da própria linguagem. Embora o sentido intuitivo que as crianças têm da natureza da linguagem seja indubitavelmente influenciado e tornado mais explícito pela aprendizagem da leitura, ele provavelmente surge através de vias desenvolvidas totalmente diferentes, como os versinhos infantis, as histórias, a brincadeira com palavras e os jogos de linguagem (FERREIRO, 1986).
    3. A Escrita
    Pode-se afirmar que a escrita é um ato totalmente inverso da leitura. As crianças precisam ler para poder saber escrever. Pouco importa ou vai adiantar, se as crianças fizeram os exercícios escritos, pois elas escreverão as palavras sem fazerem a correspondência com a sonorização e não irão compreendê-las. A escrita vista desta maneira, torna-se cansativa, sem nenhum significado e totalmente desgastante (JORM, 1985).
    Antes de ensinar as crianças a escreverem, é preciso saber o que elas esperam da escrita e, a partir daí, programar atividades adequadas. As crianças que estudam em escolas públicas não participam com muito empenho da aprendizagem, porque acham que a escola ensina o que não lhes interessam e deixam de lado o que seria útil para elas.
    Na idade entre 5 e 6 anos, as crianças ficam mais predispostas a se interessarem pelo que está escrito, portanto, é uma ótima fase para se iniciar a alfabetização, realizando atividades que estimulam a aprendizagem da leitura e da escrita. Nesta fase, faz-se necessário que sejam lidos para elas, livros de literatura infantil, jornais, revistas, cartas, bilhetes, avisos, além de incentivá-las a escreverem suas próprias histórias ou o que lhes interessam. E quando elas forem escrever, é necessário que seja o mais livremente possível. O que não pode ou não se deve fazer, é pedir que escrevam uma história só de palavras conhecidas e com números de páginas determinadas como sugere Bock (1997).
    É através da leitura que se percebe como se articulam as regras gramaticais e se aprendem novos estilos de escrita. Na redação, o escritor busca dentro de si as palavras adequadas para poder transmitir ao outro, aquilo que vivência e, a opção da escolha de palavras e da forma como estas vão-se articulando, representam no fundo, modelos interiorizados de inúmeras leituras que o escritor realizou durante a sua vida.
    Quando se fala em Distúrbios de Aprendizagem envolvendo a leitura e a escrita, é indispensável que se analise a leitura oral e silenciosa antes de se avaliar a escrita (cópia, ditado, redução), visto serem as dificuldades de escrita, na maioria das vezes, decorrentes de uma leitura lenta, analítica, impregnada
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    de trocas de sílabas ou palavras, sem pontuação nem ritmo e, incompreensível.
    As crianças que escrevem errado ou invertem as letras, o fazem não porque são deficientes, ou têm problemas diversos estudados por muitos autores, casos estes comprovados como a dislexia, mas na maioria das vezes, são apenas obstáculos que precisam ser trabalhados com mais paciência. Muitas vezes, as crianças erram as formas ortográficas porque se baseiam nas formas fonéticas. (FONSECA, 1989).
    É impressionante como as crianças ao errarem, revelam uma reflexão sobre os usos lingüísticos da escrita e da fala. Por causa desses erros, a escola rotula as crianças como; incapazes de aprenderem, de discriminarem, de memorizarem, de se concentrarem no que fazem, entre outros (MORAIS, 1994).
    Para tanto, as crianças se concentram mais do que se possa imaginar. Só que são injustamente criticadas pelo seu esforço, desiludem-se com a escola e caem nos números apresentados pelas pesquisas do fracasso escolar, pela repetência. Para se superar os erros cometidos pelas crianças ao escreverem, precisa-se motivá-las para que tenham contato direto com o material de escrita, despertar nelas a criação espontânea de seus próprios textos e de seus amigos. É uma tarefa que requer muito espaço do professor, mas se bem trabalhada, alcançará bom êxito.
    4. A Escola e a Aquisição da Linguagem Escrita e Falada
    A escola representa um dos espaços no qual o processo individual e histórico da construção do conhecimento é possível, porém a relação entre o sujeito que precisa organizar a sua própria aprendizagem e a instituição escolar é bastante conflitante. Faz parte da natureza da criança buscar significado em tudo o que vê e quando ela entra para a escola, a busca de significados depara-se com alguns problemas.
    O primeiro deles diz respeito às suas hipóteses formuladas anteriormente que nem sempre coincidem com as do professor, pois o modo de pensar da criança é diferente do pensamento do adulto. O segundo problema reside no fato de que a decodificação de sinais não é suficiente para a criança se interessar em ser alfabetizada.
    Para a criança iniciar a aprendizagem da leitura, a escola estabelece como marco a idade de seis anos. Contudo, a idade cronológica não se constitui dado completo e suficiente. São necessários outros fatores, tais como o sócio-econômico, o ambiental, o cultural, o psicológico, o motor e outros mais.
    A escola também impõe a metodologia que norteará a transmissão do conteúdo, ou seja, quando se toma alguma decisão sobre a maneira de como
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    serão representadas as letras para as crianças da alfabetização costuma-se controlar e induzir a aceitação dos pais para tal medida. Pode-se até conseguir sucesso com os adultos, mas com as crianças é totalmente impossível. Daí se originam mais conflitos que, possivelmente, irão afastar essas crianças da escola.
    Mesmo sabendo, entendendo e falando a língua portuguesa, a maior parte dos alfabetizados quando entra para a escola e começa a falar e escrever sofre repressões seriíssimas por parte dos alfabetizadores e se tornam marginalizados devido à rejeição de sua fala, seus costumes e de sua maneira de ser. Isto acontece entre as crianças de classes de baixa renda porque traz forte na linguagem o dialeto de sua comunidade considerada inferior.
    Daí a substituição abrupta desse dialeto não padrão pelo falar e escrever corretos da norma escolar. Este fato originará problemas relativos à grafia quando esta for espontânea.
    5. Disgrafia
    A disgrafia é um transtorno na escrita que afeta a forma ou o significado e é de tipo funcional. Mostra-se em crianças com uma capacidade intelectual normal e estimulação ambiental adequadas, sem transtornos neurológicos, sensoriais, motores ou afetivos intensos (DONALDSON, 1994)
    Quando a criança inicia o processo de alfabetização, cai sobre ela uma grande expectativa, se por algum fator ela não atender aos objetivos dos pais e professores. Ela por vezes é criticada, humilhada e desmotivada a seguir em frente. Uma criança com letra feia é constantemente chamada atenção, tanto pelos pais quanto pelos professores, ela é tida como desorganizada e desinteressada.
    Deve-se entender que nem toda letra feia e falta de interesse. Poderá ser um transtorno que vai além da vontade da criança. As dificuldades de escrita costumam apresentar outras alterações consigo, como: os transtornos na linguagem, na leitura, na matemática e nas habilidades motoras.
    5.1. Tipos de Disgrafia
    Existem vários tipos de disgrafia, pois cada criança desenvolve o problema de acordo com as modalidades que lhe são próprias. Através de pesquisas foi constatada a existência de cinco grupos dentro da disgrafia. São eles: Grupo dos rijos (onde a escrita é inclinada para a direita, dando uma impressão de rigidez e de tensão); Grupo dos débeis (caracteriza-se pela frouxidão geral do traçado, irregularidade na dimensão das letras, aspecto de negligência no traçado); Grupo impulsividade (traçado rápido, precipitado, projetado da esquerda para a direita, sem organização, devido a rapidez); Grupo dos lentos e muito estruturados (aparentemente não tem disgrafia, mas apresenta leves sinais de letra tremida que aparecem nas hastes retas e nas interrupções na volta da curva); Grupo de faltas de habilidades (má qualidade do traço e múltiplas correções) (ZORZI, 1998).
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    5.1.1. Dislexia
    Para abordar em profundidade o conceito de dislexia é necessário não esquecer que o segredo dos atos humanos não é do domínio da Psicologia. Para isso tem-se que ver a dislexia como um problema social, como um problema econômico-cultural como mostram os estudos feitos Luria (1986).
    Só por não se saber ler, representa uma injustiça social. Os que não sabem ler ficarão condenados irremediavelmente à incultura, à ignorância, ao analfabetismo e à manipulação social. O perigo de uma sociedade analfabeta, dependente, imatura e inculta é um terreno fácil à desigualdades e à opressões de várias ordens. Não se deve apoiar qualquer definição por princípio, não esquecendo que sobre o tema mais de 5.000 trabalhos foram editados, só em língua inglesa.
    O termo dislexia não deve ser confundido com alexia. Dislexia revela uma dificuldade na aprendizagem da leitura, enquanto o termo alexia revela uma incapacidade para aprender a ler ou para compreender a linguagem escrita, como conseqüência de uma lesão cerebral.
    A criança com dificuldades de aprendizagem da leitura, não revela qualquer deficiência auditiva, motora, intelectual ou emocional. O seu potencial de aprendizagem está íntegro, só que não aprende a ler facilmente; embora compreenda a linguagem falada e a utilize (LURIA, 1986).
    5.1.1.2. Causas Fundamentais da Dislexia.
    De uma forma mais didática, têm-se causas exteriores à criança — exógenas (má freqüência escolar; deficiente orientação pedagógica; inexistência do ensino pré-primário; recusa do ambiente escolar (oposição); problemas de motivação cultural, entre outros) —, e onde o envolvimento é predominante, e causas internas da criança — endógenas (carências instrumentais; dificuldades de processamento da informação visual e auditiva; imaturidade psicomotora com problemas de imagem do corpo, da lateralidade e da orientação no espaço e no tempo; deficiente desenvolvimento da linguagem (expressão limitada, vocabulário diminuto, construção sintáxica pobre, problemas de comunicação verbal), entre outros; problemas orgânicos e genéticos que se podem refletir na dificuldade de aprendizagem, como por exemplo: diabetes, anomalias, entre outros) —, onde aquelas se refletem em termos de desenvolvimento desarmônico e de dificuldades de processamento da informação (FONSECA, 1995).
    As duas causas não surgem isoladas uma da outra. As causas exógenas e as causas endógenas não se opõem, aliás, como a hereditariedade e o meio ou como o biológico e o social. Há entre esses fatores uma dinâmica que convém destacar, umas são condições das outras. Nenhuma causa se reduz à outra; é na sua reciprocidade mútua, indeterminável, que se situam os problemas da aprendizagem humana.
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    A criança pode revelar dificuldade em um plano, ou visual ou auditivo, como apresentar em ambas as áreas de processamento da informação. Nada impede que a criança utilize a expressão oral, só que a integração e a assimilação da linguagem escrita se encontra comprometida, podendo afetar, como é óbvio, o seu desenvolvimento cognitivo (FERREIRO, 1986).
    5.1.1.3. Perfil Psicomotor da Criança Disléxica
    O perfil psicomotor da criança disléxica tem sido estudado por vários autores, desde Orton em 1937, até Fonseca em 1982, e muitos outros. Estudar os problemas psicomotores pode trazer alguma ajuda à compreensão da dislexia, que jamais pode ser considerada como uma: doença ou deficiência; que tem de: ser curada ou tratada. O que se passa, então, com o perfil psicomotor da criança disléxica, uma vez que, pode haver disléxicos com dificuldades psicomotoras e disléxicos sem dificuldades de coordenação, por vezes até, com perfil de proficiência motora que os fazem bons atletas ou bons artistas? (LURIA, 1986).
    A integração sensorial e a integração psicomotora constituem verdadeiros pré-requisitos da mielinização, que consubstanciam a totalidade expressiva, através da qual, a consciência se edifica e se materializa e o potencial de aprendizagem se estrutura e hierarquiza, podendo ser concebidos como verdadeiros instrumentos de apropriação sócio-histórica, e verdadeiros alicerces da cognitividade e da corticalização progressiva.
    Tudo o que a criança faz é movimento ou um processo onde o movimento está implicado para exprimi-lo. Os pensamentos são expressos por movimentos, movimento com o comportamento vicariato. Motricidade sem cognitividade é possível, mas a cognitividade sem a motricidade não é (FERREIRO & TEBEROSKY, 1986).
    É a partir da motricidade que as subseqüentes capacidades de aprendizagem se organizam. O desenvolvimento motor é um processo adaptativo que produz o desenvolvimento do cérebro, pois, através da ação e das suas múltiplas e variadas aquisições, o cérebro vai organizando e diferenciando os seus centros integradores.
    À hierarquia da experiência humana correspondem novos níveis de complexidade, que são sobrepostos sobre unidades funcionais, pela progressiva organização e integração de tais unidades num só é único sistema — o cérebro, órgão da aprendizagem — e, conseqüentemente, da Psicomotricidade e da aprendizagem da leitura. O cérebro, verdadeiro órgão da civilização, é o órgão mais organizado do organismo. Não é de admirar que esteja envolvido na Psicomotricidade e na aprendizagem da leitura (FERREIRO, 1986).
    A aprendizagem da leitura requer a integridade mínima de processos psiconeurológicos e psicomotores. Psiconeurológicos, quando estão em jogo processos neurosensoriais. Tais processos trabalham de forma intraneurossensorial e interneurossensorial, para finalmente serem integrados sobre a forma de memórias neuroniais (ZORZI, 1998).
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    As dificuldades da aprendizagem de leitura, que não podem ser confundidas com incapacidade de aprendizagem, embora necessitem de estudar muito bem, para exatamente as compreender, têm sido definidas como desordens psiconeurológicas e como disfunções cerebrais. Trata-se de desordens em um ou mais processos de linguagem falada, leitura, ortografia, caligrafia ou aritmética, resultantes de déficits ou desvios dos processos cerebrais da aprendizagem, e que não são devidos ou provocados por deficiência mental, por privação sensorial ou cultual, ou mesmo por dispedagogias.
    Há, portanto, déficits específicos da aprendizagem que compreendem a organização intrínseca do cérebro, onde subsistem discrepâncias dos níveis de realização cognitiva, quer intra, quer interverbais e intra ou inter-não-verbais, que em nenhuma condição podem ser confundidas com deficiência de qualquer tipo.
    As crianças disléxicas ou com dificuldades de aprendizagem apresentam uma inteligência média ou acima da média (QI  80). Trata-se, efetivamente, de crianças dotadas em inúmeras competências quando se refere aos disléxicos puros. Não se pode esquecer que nessa “categoria” podem cair nomes como: Einstein, Newton, Edison, figuras científicas da humanidade; Lincoln e Churchill, personalidades políticas de grande relevo; Beethoven, Walt Disney, Caruso, Rodin, grandes expoentes da arte e da criatividade (FONSECA, 1989).
    Muitos estudos realizados nas crianças disléxicas apontam características psicomotoras tais como: má lateralização; desenvolvimento insuficiente de certas zonas como o corpo caloso, lóbulos frontais; distorções perceptivo-espaciais; déficits na memória de curto tempo (memória imediata ou memória de trabalho) e atividades elétricas evocadas e eletroencefalograma nitidamente diferenciadas das crianças normais (MORAIS, 1994).
    A atividade elétrica de crianças disléxicas envolve muitas áreas disfuncionais do que anteriormente se pensou, onde ressaltam, pela sua obviedade, áreas de integração sensorial/visual e auditiva e áreas de integração psicomotoras. Pode-se assegurar que algumas crianças disléxicas acusam disfunções cerebrais (dispraxia), que interferem com o potencial de aprendizagem e com a planificação das ações, onde certamente o perfil psicomotor da criança se vai manifestar. Trata-se de uma dispraxia, ou seja, uma insuficiência de planificação de ações, independentemente da inteligência normal e de motricidade normal. O problema parece residir na ponte, entre o intelecto e o motor, entre o psíquico e o motor (AJURIAGUERRA, 1984).
    A constelação dos problemas pedagógicos advém do desenvolvimento da industrialização e das suas contradições sociais, que geram a necessidade do aumento do nível de instrução para se adaptar à mobilidade de novos empregos que se refletem como pressões sobre a escola e a que esta responde como nova noção de debilidade — a dislexia.
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    Conclusão
    A primeira coisa que o alfabetizando precisa saber é o que são aqueles risquinhos pretos no papel, são símbolos da fala, é necessário compreender o que é um símbolo. Uma criança que ainda não consiga compreender o que seja uma relação simbólica entre dois objetos, não conseguirá ler. A criança precisa perceber que cada um daqueles risquinhos vale como um símbolo do som da fala. As letras do nosso alfabeto têm formas bastante semelhantes, exigindo mais da percepção das crianças.
    A percepção auditiva é outro problema para o aprendizado. Se as letras simbolizam sons da fala, é necessário saber ouvir diferenças relevantes entre esses sons, de modo que se possa escolher a letra certa para simbolizar cada som.
    Outro ponto importante que as crianças precisam perceber, logo no início da alfabetização, continua a ser a compreensão espacial da página em nosso sistema, de escrita onde a idéia é de que: a ordem significativa das letras, é da esquerda para a direita e, que a ordem significativa das linhas, são de cima para baixo.
    Aprender a ler e escrever exige novas habilidades e apresentam novos desafios às crianças, em relação aos seus conhecimentos da linguagem. Por isso, aprender a ler e a escrever é uma tarefa complexa e difícil para todas as crianças. No entanto, algumas crianças têm mais dificuldades que outras.
    As crianças podem ser estimuladas ou não para a aprendizagem. A criança que faz a educação infantil recebe toda uma preparação através de atividades recreativas, perceptivas, auditivas, mas, no entanto o ambiente em casa é muito importante. É até correto supor que uma criança, com estímulo familiar favorável, possa tornar-se uma autodidata e aprender a ler e escrever sozinha. Por isso se diz que o primeiro ambiente alfabetizante não é a escola nem a pré-escola, mas a família, que ensina os filhos, mesmo que sejam de maneira indireta e implícita.
    As crianças podem ser estimuladas por meio da convivência com livros, revistas, jornais, enfim, tudo que lhes proporcionam a oportunidade de ter contato direto com a escrita. Os pais que constantemente praticam a leitura, de alguma forma, estão incentivando os filhos a fazê-lo. Se uma criança tem quem leia para ela, algo que está escrito, ela terá uma oportunidade maior do que outras crianças que não tem esse contato direto com a leitura e a escrita.
    Existe um período de desenvolvimento que depende de alguns fatores que irão influenciar o processo de alfabetização das crianças que são os fatores fisiológicos, ambientais, emocionais e intelectuais. Mas, não se pode esperar que todas as crianças tenham o mesmo desenvolvimento no que diz respeito a esses fatores, mas se faz necessário analisá-los de maneira que se vejam a opinião de outros para se questionar às
    demais visões
    .